A história política recente do Tocantins é um manual de como a posse da “máquina” pública não é, por si só, uma garantia de sucesso eleitoral. A instabilidade crônica do estado, marcada por afastamentos e mandatos incompletos, demonstra que o eleitor tocantinense tem se tornado cada vez mais sensível à performance da gestão e, crucialmente, à taxa de rejeição dos líderes.
A situação do governador em exercício Laurez Moreira (PSD) e a memória de ex-governadores como Carlos Gaguim e Sandoval Cardoso, que perderam o controle do Palácio Araguaia mesmo com a caneta na mão, são a prova de que é preciso fazer mais do que apenas governar para vencer as eleições de 2026.
O Fantasma da Rejeição e a Lição do Passado
Os casos de Gaguim (derrotado na busca pela reeleição) e Sandoval (que não conseguiu se manter no cargo) sublinham uma verdade: a máquina só funciona quando há legitimidade e baixa rejeição popular.
Em um cenário de polarização e intensa fiscalização judicial, como o Tocantins tem vivido, o uso da estrutura estatal pode ser um peso, e não um motor, se:
1. Houver Suspeita de Má-fé: O eleitor pune a percepção de corrupção ou uso indevido de recursos.
2. A Gestão for Ineficiente: Crises na Saúde, Educação ou contas públicas pesam mais que os cabos eleitorais.
3. As Alianças Forem Malvistas: O eleitorado, ao que tudo indica, não “compra” mais pactos que envolvam famílias ou grupos políticos associados a escândalos ou “má índole”, rotulando-os como “traidores” ou “mentirosos” do projeto original.
O Desafio de Laurez Moreira e o “Choque de Gestão”
Laurez Moreira assumiu o Governo do Tocantins em um momento de profunda crise institucional, após o afastamento do governador eleito, Wanderlei Barbosa, por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em meio a investigações sobre desvios.
Ao assumir, o governador interino adotou imediatamente uma postura de “choque de gestão”:
• Exoneração em Massa: Demitiu mais de 50 secretários e funcionários de alto escalão.
• Discurso de Transparência: Prometeu um governo aberto e focado em controle de gastos, citando o déficit na Saúde e alegados gastos “abusivos” da gestão anterior, como os R$ 200 milhões em shows.
• Articulação Oposta: O movimento de Laurez, com o apoio de nomes como o Senador Irajá Abreu (PSD), é uma clara tentativa de se descolar da gestão afastada e se apresentar como o agente da reorganização fiscal e moral.
O Fator Rejeição:
Apesar dos movimentos estratégicos, o maior desafio de Laurez é a rejeição. Pesquisas eleitorais (referentes a um período após sua posse) o colocam em terceiro lugar na disputa para 2026, com um índice de rejeição que oscila na casa dos 32%.
Ele precisa convencer o eleitor de que sua posse é um novo ciclo, e não uma mera continuação do sistema político criticado. O eleitorado, nesse contexto, pode encarar sua aliança com as tradicionais “famílias” políticas não como força, mas como a manutenção de um status quo de trocas de poder que o Tocantins já não aprova.
Opinião: O Rumo para Vencer em 2026
A articulação política para a disputa de 2026 já está a todo vapor, buscando derrubar ou fragilizar a gestão que está no poder. A instabilidade é o palco.
Para qualquer nome, inclusive Laurez Moreira, que deseja vencer, a lição é clara: o desempenho supera a posse. É preciso ir além do uso da máquina e focar em três pilares:
1. Entrega Real: Apresentar melhorias concretas e mensuráveis nos serviços públicos básicos, desfazendo a imagem de irresponsabilidade fiscal.
2. Integridade Inquestionável: Manter um padrão ético e de transparência que desmonte a narrativa de “mentiroso e traidor” alimentada pela oposição.
3. Rejeição Controlada: Trabalhar para reduzir a alta rejeição popular, focando na imagem de gestor sério, e não apenas de articulador político.
No Tocantins, a eleição se ganha na urna, mas a confiança se perde no Palácio. É preciso fazer um governo que o eleitor queira reeleger, e não apenas um que tenha recursos para se reeleger.