A pouco menos de um ano das convenções partidárias, a sucessão estadual em Tocantins já começa a ganhar contornos mais definidos. Nos bastidores, aliados e adversários do governador Laurez Moreira se movimentam para garantir espaço no tabuleiro político que decidirá quem comandará o Estado a partir de 2026.
O peso do vice
A escolha do vice tem se mostrado uma das decisões mais estratégicas e delicadas da próxima disputa. Laurez, que construiu sua imagem como gestor técnico e pragmático, sabe que o nome que o acompanhará na chapa pode influenciar diretamente o equilíbrio político e regional de sua candidatura.
Entre os nomes mais citados estão Cínthia Ribeiro, ex-prefeita de Palmas e atual presidente nacional do PSDB Mulher, e Ronaldo Dimas, secretário de Planejamento e liderança consolidada no norte do Estado. Ambos têm perfis distintos e carregam tanto ativos políticos quanto riscos para a composição.
Cínthia e Dimas: duas forças em direções opostas
Cínthia Ribeiro traz consigo a experiência administrativa da capital e um discurso de renovação e protagonismo feminino. Seu nome agrada parte do eleitorado urbano e setores da classe média, mas também enfrenta resistências em razão de questionamentos sobre contratos e gestões passadas, ainda sob análise de órgãos de controle.
Ronaldo Dimas, por outro lado, é visto como uma figura de perfil técnico, com forte inserção em Araguaína e na região norte. Sua presença no governo reforça a imagem de estabilidade administrativa, mas também desperta desconfortos internos, especialmente entre grupos que temem a concentração de poder dentro da base aliada.
O Senado no mesmo jogo
Enquanto a disputa pela vice ganha força, outro campo político começa a se definir: o Senado. Com duas vagas em aberto, o cenário tende a reunir nomes de peso como Eduardo Gomes, que buscará a reeleição, além de Wanderlei Barbosa e Vicentinho Júnior, que aparecem como possíveis concorrentes. As conversas entre esses grupos já indicam que o Senado poderá se tornar um segundo palco decisivo da eleição tocantinense.
O equilíbrio regional e os bastidores
Historicamente, as disputas no Tocantins se resolvem na habilidade de equilibrar regiões e interesses. Laurez, natural de Gurupi, tenta construir uma chapa que una o norte, o centro e o sul do Estado — missão que exigirá habilidade política e um bom senso de timing. Nos bastidores, prefeitos e lideranças locais já se articulam em busca de espaços e garantias para o próximo pleito.
A regra, mais uma vez, parece a mesma: em Tocantins, nada é definitivo até o último voto ser apurado.
Análise Cerrado 360
O governador Laurez Moreira entra em 2026 com uma vantagem: está no poder e tem a máquina administrativa a seu favor. Mas o desafio será manter coesa uma base que começa a mostrar sinais de fragmentação. A escolha do vice e a definição das alianças para o Senado dirão muito sobre a capacidade de articulação política do governo.
Enquanto isso, o eleitor observa à distância, esperando que, entre as costuras de bastidores e as promessas de campanha, o Tocantins encontre um caminho mais estável e transparente.