Novos trechos da decisão do ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), trazem à tona elementos que intensificam a suspeita de que o então governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), teria sido alertado sobre a iminente operação da Polícia Federal (PF) que culminou em seu afastamento. A análise do ministro destaca movimentações atípicas e comunicações estratégicas nas vésperas da ação policial.
Interação com Deputado Alexandre Guimarães: Ponto Chave
A investigação da PF apurou que Wanderlei Barbosa manteve contato direto com o deputado federal Alexandre Guimarães (Republicanos-TO) na noite anterior à deflagração da operação. As mensagens indicam que os dois agendaram um café da manhã para a manhã seguinte, exatamente o dia do cumprimento dos mandados judiciais.
• Localização Enviada: Nas conversas, Wanderlei chegou a enviar a localização precisa do imóvel urbano onde se encontrava, detalhando onde pretendia estar ao amanhecer.
• Contradição: Para a PF, esse detalhe contradiz a versão de defesa apresentada posteriormente pelo ex-governador, de que ele teria passado a noite na Fazenda Santa Helena.
• Interpretação da PF: O envio da localização e o agendamento do encontro reforçam a interpretação dos investigadores de que Wanderlei planejava pernoitar em endereço urbano, uma movimentação considerada suspeita e atípica às vésperas de uma grande ação.
• Articulação Política: A menção a Alexandre Guimarães ganha relevância na análise de Campbell, que observa a existência de comunicações capazes de sugerir articulações internas entre agentes políticos no período imediatamente anterior à ação policial.
Outras Suspeitas de Obstrução da Justiça
Os desdobramentos da investigação que levaram ao afastamento de Wanderlei Barbosa, inicialmente no âmbito da Operação Fames-19 (que apura desvio de recursos na compra de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19), já apontavam para indícios de obstrução da Justiça.
• Operação Nêmesis: Em uma fase subsequente, deflagrada para investigar a tentativa de atrapalhar as apurações, a PF identificou que o governador afastado e sua esposa, Karynne Sotero Campos (também afastada do cargo de ex-secretária de Participações Sociais), teriam tomado medidas para eliminar provas.
• Provas Ocultadas/Destruídas: A investigação aponta para ações como a retirada de documentos e materiais sigilosos em veículos oficiais, o reset de um celular para as configurações de fábrica e a remoção do conteúdo de um cofre oculto na residência do casal antes da chegada da PF. Há também relatos de que o casal teria feito um “rapa” na casa da sogra para ocultar malas e caixas.
• Posicionamento da Defesa: Em nota, a defesa de Wanderlei Barbosa lamenta as acusações e reitera a disponibilidade para colaborar com as investigações, mantendo “confiança na Justiça e nas instituições.”
O caso, que segue sob sigilo no STJ, continua a dominar o cenário político tocantinense, e as novas informações deverão orientar os próximos passos da investigação.