Há situações em que o problema é tão evidente que dispensa metáforas, mas ainda assim ninguém quer falar sobre ele. No Tocantins, o “elefante no corredor” é o impasse político que mantém o Estado meio parado, meio andando, com decisões travadas e projetos adiados.
Desde o afastamento de Wanderlei Barbosa, o governo conduzido interinamente por Laurez Moreira tenta mostrar ritmo e presença, mas esbarra na falta de estabilidade. Há visitas ao interior, ordens de serviço, anúncios e promessas mas tudo com o pé no freio. É como se o governo tivesse motor, mas não tivesse pista livre.
Enquanto o cenário jurídico de Wanderlei não se resolve no Supremo Tribunal Federal, a máquina administrativa opera em modo cauteloso. Secretários medem palavras, prefeitos aguardam sinais mais claros e aliados políticos preferem não se comprometer com o que ainda pode mudar.
O reflexo disso é sentido na ponta: obras que demoram, convênios travados e decisões estratégicas empurradas para depois. O Tocantins vive um “quase-governo” e nesse meio-termo, quem perde é a população, que segue esperando que o Estado volte a funcionar com plena força.
Laurez Moreira tem mostrado vontade e disposição, mas enfrenta o peso de comandar um governo provisório. A questão é que o Tocantins não pode ficar em compasso de espera por tempo indefinido. O Estado precisa de um comando firme, com autoridade e legitimidade para avançar e não de mais gestos simbólicos.
Enquanto o “elefante” continuar no corredor, ninguém passa, ninguém anda. E o Tocantins, mais uma vez, corre o risco de ver o tempo passar sem que o futuro comece de verdade.