PALMAS/TO – A Polícia Federal (PF) deflagrou na última sexta-feira (31) uma nova fase da Operação Overclean, resultando na prisão do ex-secretário-executivo da Secretaria de Educação do Tocantins (Seduc), Éder Martins Fernandes, conhecido como Edinho, e do servidor Danilo Pinto da Silva. As prisões ocorreram por suspeita de tentativa de obstrução da Justiça.
A Overclean investiga uma complexa rede de desvios milionários de recursos públicos, focada em contratos financiados por emendas parlamentares em diversos estados, incluindo o Tocantins. Esta etapa da operação cumpre mandados expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques.
Prisões por Suspeita de Monitoramento da PF
De acordo com as investigações da PF, Éder Martins e Danilo Pinto são suspeitos de tentarem atrapalhar o trabalho policial ao monitorar a sede da Polícia Federal em Palmas. O objetivo seria se antecipar ao cumprimento de mandados judiciais, frustrando as diligências em andamento.
O ex-secretário-executivo da Seduc é um dos alvos da 8ª fase da Overclean, que tem como foco a desarticulação financeira das redes criminosas. As apurações iniciais da operação, deflagrada em dezembro de 2024, revelaram um esquema de fraudes em licitações e contratos superfaturados, chegando a sobrepreços que, em alguns casos, ultrapassavam 600% do valor de mercado, conforme auditores.
O Que Diz a Defesa
Em contato com a reportagem, a defesa de Éder Martins e Danilo Pinto negou veementemente a acusação de obstrução.
“A defesa respeita o trabalho da Polícia Federal, mas discorda das prisões, alegando que não houve embaraço às investigações”, afirmaram os advogados por telefone.
Ainda segundo a defesa, o acesso formal aos autos do processo ainda não foi concedido. Os advogados ressaltaram que as medidas cabíveis para reverter as prisões serão adotadas assim que o conteúdo integral das investigações for acessado.
Contexto da Operação Overclean
A Operação Overclean é um esforço conjunto da Polícia Federal, Controladoria-Geral da União (CGU) e Receita Federal. O foco é desarticular uma organização criminosa que, além das fraudes em licitações e desvios, é suspeita de:
• Corrupção Ativa e Passiva
• Peculato
• Organização Criminosa
• Lavagem de Dinheiro
A ação desta sexta-feira reforça a estratégia de asfixia financeira do esquema, com o sequestro de bens e valores obtidos de forma ilícita, cumpridos em cidades como Brasília (DF), São Paulo (SP), Palmas (TO) e Gurupi (TO).
Fonte: Polícia Federal, Supremo Tribunal Federal (STF), Defesa dos Investigados.